Colorretal e Cirurgia do Intestino
Endometriose intestinal, diverticulite, apendicite e doenças inflamatórias intestinais (Crohn e retocolite ulcerativa), com abordagem por videolaparoscopia e cirurgia robótica.
Dr. Vitor Figueira · CRM-SP 196249 · RQE 118603 / 93635
Endometriose Intestinal
O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao revestimento interno do útero, chamado endométrio, fora da cavidade uterina.
Esses focos podem atingir diferentes estruturas da pelve, como ovários, peritônio, bexiga, ureteres e intestino. O órgão acometido influencia os sintomas e a forma de investigação da doença.
O que é a endometriose intestinal?
Quando os focos de endometriose atingem a parede do intestino, o quadro é classificado como endometriose intestinal. Essa é uma das apresentações da endometriose profunda, na qual as lesões infiltram os tecidos de maneira mais extensa.
O reto e o cólon sigmoide estão entre as regiões intestinais mais afetadas. Dependendo da localização e da profundidade das lesões, podem surgir dor para evacuar, alteração do hábito intestinal, distensão abdominal e piora dos sintomas durante o período menstrual.
Quais são os locais mais acometidos do trato digestivo?

A endometriose intestinal afeta principalmente segmentos do intestino localizados na pelve, próximos ao útero e aos demais órgãos reprodutivos. Os locais mais frequentemente acometidos são:
- Reto.
- Junção retossigmoide.
- Cólon sigmoide.
- Apêndice.
- Íleo terminal.
O acometimento intestinal pode ocorrer de forma isolada ou associado a lesões em outros órgãos pélvicos, como ovários, bexiga, ureteres e peritônio. A localização e a profundidade desses focos influenciam diretamente as manifestações da doença.
Quais são os sintomas da endometriose intestinal?
Os sintomas da endometriose intestinal variam conforme o segmento atingido, a profundidade das lesões e a presença de acometimento em outros órgãos. Em muitos casos, as manifestações se intensificam durante o período menstrual.
Os sintomas mais frequentes incluem:
- Dor pélvica crônica.
- Cólicas menstruais intensas.
- Dor durante as evacuações.
- Dor durante as relações sexuais.
- Distensão abdominal.
- Diarreia, especialmente no início do período menstrual.
- Constipação.
- Sangramento intestinal durante a menstruação, embora seja menos frequente.
- Infertilidade.
Algumas pacientes podem apresentar lesões intestinais sem sintomas digestivos significativos. Por isso, a ausência de alterações no funcionamento do intestino não exclui a possibilidade de endometriose intestinal.
Como é feito o diagnóstico?
A semelhança dos sintomas com outras alterações gastrointestinais pode dificultar o reconhecimento da endometriose intestinal. O diagnóstico exige a análise conjunta da história clínica, do exame físico e dos exames de imagem.
A investigação pode envolver:
- Avaliação clínica especializada.
- Exame físico.
- Ultrassonografia com preparo intestinal.
- Ressonância magnética da pelve.
- Colonoscopia em casos selecionados.
A escolha dos exames depende dos sintomas, da localização suspeita das lesões e do planejamento terapêutico. A avaliação integrada permite identificar a extensão da doença e verificar se outros órgãos pélvicos também foram acometidos.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia para endometriose intestinal não é indicada de forma automática. A decisão depende da intensidade dos sintomas, da profundidade das lesões, do grau de comprometimento do intestino e da resposta ao tratamento medicamentoso.
O procedimento pode ser recomendado quando há:
- Sintomas intensos ou persistentes.
- Falha do tratamento medicamentoso.
- Estreitamento significativo do intestino.
- Obstrução intestinal.
- Comprometimento importante da qualidade de vida.
Além desses critérios, a equipe avalia a localização das lesões, a extensão do acometimento pélvico e o risco de progressão. O planejamento deve ser individualizado e, em casos selecionados, envolver Ginecologista e Cirurgião do Aparelho Digestivo.
Quais são os tipos de cirurgia?

A técnica cirúrgica é definida conforme a localização, a profundidade, a extensão e o número de lesões. O objetivo é remover os focos de endometriose, preservar a função intestinal e reduzir o risco de complicações.
Shaving
O shaving consiste na retirada superficial dos focos de endometriose, sem abertura da parede intestinal.
Essa técnica pode ser indicada para lesões mais superficiais, com menor grau de infiltração no intestino.
Ressecção discoide
A ressecção discoide pode ser indicada para lesões localizadas e mais profundas, que atingem a parede intestinal de forma restrita.
Nesse procedimento, é removido um fragmento circular da parede do intestino que contém a lesão, seguido do fechamento da área operada.
Ressecção intestinal segmentar
A ressecção intestinal segmentar pode ser indicada para lesões extensas, profundas, múltiplas ou associadas a estreitamento significativo do intestino.
O procedimento consiste na retirada do segmento intestinal comprometido, seguida da reconstrução do trânsito intestinal por meio da união das extremidades preservadas.
Apendicectomia
A apendicectomia pode ser realizada quando há confirmação ou suspeita de endometriose no apêndice.
A decisão depende dos achados dos exames, da avaliação durante a cirurgia e do aspecto do apêndice no procedimento.
Cirurgia laparoscópica e robótica
Grande parte das cirurgias para endometriose intestinal pode ser realizada por técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica.
Essas abordagens utilizam pequenas incisões e permitem uma visualização detalhada da pelve e das estruturas acometidas.
Entre as principais vantagens estão:
- Menor dor no pós-operatório.
- Recuperação mais rápida.
- Menor tempo de internação.
- Melhor visualização anatômica.
- Maior precisão durante o procedimento.
Diverticulose e Diverticulite

O que é diverticulose?
A diverticulose é caracterizada pela presença de pequenas bolsas, chamadas divertículos, que se formam em pontos de fragilidade da parede do intestino grosso. Essa condição se torna mais frequente com o avanço da idade, especialmente após os 50 anos.
Na maioria dos casos, os divertículos não causam inflamação nem sintomas relevantes. Algumas pessoas, porém, podem apresentar desconforto abdominal, distensão ou alterações do hábito intestinal associadas à doença diverticular.
O que é diverticulite?

A diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos apresentam inflamação e, em alguns casos, infecção. Trata-se de um quadro agudo que exige avaliação médica para definir a gravidade e o tratamento adequado.
Dessa forma, diverticulose e diverticulite não representam a mesma condição. A diverticulose corresponde à presença dos divertículos, enquanto a diverticulite é uma possível complicação inflamatória dessas estruturas.
Existe relação com constipação?
A constipação, a baixa ingestão de fibras e as alterações da motilidade intestinal podem aumentar a pressão dentro do cólon. Esses fatores são associados à formação de divertículos, embora a diverticulose tenha origem multifatorial.
A alimentação, o envelhecimento, a predisposição individual e o estilo de vida também podem participar do desenvolvimento da doença. Por isso, a avaliação deve considerar o funcionamento intestinal e os hábitos de cada paciente.
Quais são os sintomas da diverticulite?
Os sintomas variam conforme a intensidade da inflamação e a presença de complicações. A dor abdominal é a manifestação mais comum e costuma ocorrer no lado inferior esquerdo do abdômen.
Outros sintomas podem incluir:
- Febre.
- Distensão abdominal.
- Constipação ou diarreia.
- Náuseas.
- Perda de apetite.
- Mal-estar.
Quadros com dor intensa, febre persistente, vômitos, rigidez abdominal ou piora rápida exigem avaliação médica imediata, pois podem indicar abscesso, perfuração ou outras complicações.
Como é feito o tratamento da diverticulose?
O tratamento da diverticulose busca favorecer o funcionamento intestinal, controlar sintomas e reduzir o risco de complicações. A conduta depende das manifestações apresentadas e das condições clínicas de cada paciente.
As principais medidas incluem:
- Alimentação rica em fibras: auxilia na formação das fezes e na regularidade intestinal.
- Hidratação adequada: contribui para que as fibras atuem corretamente e evita o ressecamento das fezes.
- Atividade física: pode favorecer a motilidade intestinal e reduzir a constipação.
- Probióticos: podem ser considerados em casos selecionados, conforme os sintomas e a orientação médica.
- Medicações: podem ser indicadas para controlar desconforto, alterações intestinais ou outras manifestações específicas.
O aumento do consumo de fibras deve ser gradual, principalmente em pacientes com distensão ou desconforto abdominal. A orientação individualizada ajuda a adaptar a dieta sem intensificar os sintomas.
Como é feito o tratamento da diverticulite?
O tratamento da diverticulite depende da gravidade da inflamação, das condições gerais do paciente e da presença de complicações. Casos leves podem ser acompanhados fora do hospital, enquanto quadros mais graves exigem internação.
A conduta pode incluir:
- Dieta temporariamente adaptada.
- Analgésicos e outras medicações para controle dos sintomas.
- Antibióticos em situações selecionadas.
- Internação hospitalar.
- Drenagem de abscessos.
- Cirurgia em casos complicados, persistentes ou recorrentes.
Apendicite Aguda

O que é a apendicite?
A apendicite aguda é a inflamação do apêndice, uma pequena estrutura ligada ao início do intestino grosso. O quadro costuma surgir de forma repentina e pode evoluir rapidamente, sendo uma das urgências cirúrgicas abdominais mais frequentes.
Quais são os sintomas?
A manifestação mais característica é a dor abdominal progressiva. Em muitos casos, ela começa próxima ao umbigo e, ao longo das horas, desloca-se para a parte inferior direita do abdome.
Outros sintomas podem incluir:
- Náuseas.
- Vômitos.
- Febre.
- Falta de apetite.
- Distensão abdominal.
- Alteração do hábito intestinal.
A intensidade e a localização da dor podem variar conforme a posição do apêndice, a idade do paciente e a evolução da inflamação. Crianças, idosos e gestantes podem apresentar manifestações menos típicas.
Atenção: procure avaliação rapidamente
A apendicite aguda é uma urgência cirúrgica e deve ser investigada assim que surgirem sintomas. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a inflamação pode evoluir para perfuração do apêndice, abscesso, peritonite e infecção abdominal grave.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela análise dos sintomas e pelo exame físico do abdome. O médico avalia a localização da dor, sinais de irritação abdominal, tempo de evolução e presença de manifestações associadas.
A investigação pode incluir:
- Avaliação clínica.
- Hemograma e outros exames laboratoriais.
- Ultrassonografia abdominal.
- Tomografia computadorizada.
- Ressonância magnética em situações selecionadas.
A escolha do exame de imagem depende da idade, da condição clínica e da disponibilidade do método. Em gestantes e crianças, a ultrassonografia costuma ser considerada inicialmente por não utilizar radiação.
Como é o tratamento?
O tratamento da apendicite aguda depende da gravidade, da presença de perfuração ou abscesso e das condições gerais do paciente. A remoção cirúrgica do apêndice, chamada apendicectomia, permanece como a conduta padrão na maioria dos casos.
Atualmente, o procedimento costuma ser realizado por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva feita por pequenas incisões. Essa abordagem permite avaliar a cavidade abdominal e, em geral, favorece menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida.
Em situações selecionadas, como alguns quadros não complicados ou casos com abscesso localizado, podem ser considerados antibióticos, drenagem ou tratamento inicial não cirúrgico.
Agendar avaliaçãoDoenças Inflamatórias Intestinais (DII)

O que são as Doenças Inflamatórias Intestinais?
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são condições crônicas caracterizadas por inflamação persistente do trato digestivo. Elas alternam períodos de atividade, chamados crises, e fases de controle dos sintomas.
As principais formas são:
- Doença de Crohn.
- Retocolite Ulcerativa.
Embora possam causar sintomas semelhantes, essas doenças atingem regiões e camadas diferentes do intestino. Essas características influenciam as complicações, os exames utilizados e a definição do tratamento.
Quais são as principais diferenças entre elas?
Doença de Crohn

A Doença de Crohn pode acometer qualquer região do trato digestivo, desde a boca até o ânus. As lesões costumam aparecer de maneira descontínua, intercalando áreas inflamadas e segmentos preservados.
A inflamação pode atingir todas as camadas da parede intestinal. Por esse motivo, a doença pode provocar:
- Estreitamentos intestinais.
- Fístulas.
- Abscessos.
- Perfurações.
- Doença perianal.
Retocolite Ulcerativa

A Retocolite Ulcerativa afeta o intestino grosso e sempre envolve o reto, podendo se estender de forma contínua por diferentes segmentos do cólon.
A inflamação ocorre predominantemente nas camadas mais superficiais da parede intestinal. Sangramento nas fezes, diarreia e urgência para evacuar são manifestações frequentes durante os períodos de atividade.
Quais são os sintomas?
Os sintomas das Doenças Inflamatórias Intestinais variam conforme a região acometida, a intensidade da inflamação e a presença de complicações.
As manifestações mais frequentes incluem:
- Diarreia persistente, com muco ou sangue.
- Sangramento intestinal.
- Dor abdominal.
- Urgência evacuatória.
- Perda de peso.
- Falta de apetite.
- Fadiga.
- Anemia.
- Febre durante quadros mais intensos.
Alguns pacientes também podem apresentar manifestações fora do intestino, como alterações nas articulações, na pele, nos olhos e no fígado. Esses sinais devem ser considerados durante a avaliação clínica.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico exige a análise conjunta dos sintomas, do histórico clínico e dos exames. Nenhum resultado isolado costuma ser suficiente para diferenciar a Doença de Crohn da Retocolite Ulcerativa.
A investigação pode envolver:
- Avaliação clínica especializada.
- Exames laboratoriais de sangue e fezes.
- Colonoscopia com biópsias.
- Tomografia computadorizada.
- Ressonância magnética.
- Outros exames endoscópicos em situações selecionadas.
A colonoscopia permite avaliar a mucosa do intestino grosso e coletar amostras para análise. Já os exames de imagem auxiliam na identificação da extensão da doença e de complicações, como abscessos, fístulas e estreitamentos.
Como é o tratamento?
O tratamento é individualizado conforme o tipo de doença, a localização da inflamação, a intensidade dos sintomas, as complicações e a resposta às terapias anteriores.
A abordagem pode incluir:
- Aminossalicilatos em casos selecionados.
- Corticoides para controle temporário de crises.
- Imunossupressores.
- Terapias biológicas.
- Medicamentos de pequenas moléculas.
- Acompanhamento nutricional.
- Tratamento de anemia e outras deficiências.
A alimentação deve ser adaptada aos sintomas e ao estado nutricional de cada paciente. Embora possa auxiliar no controle das manifestações, a dieta não substitui o tratamento medicamentoso indicado para controlar a inflamação.
Quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia pode ser indicada quando o tratamento clínico não controla a doença, quando há efeitos adversos importantes ou quando surgem complicações que oferecem risco ao paciente.
Na Doença de Crohn, as principais indicações incluem:
- Estreitamento com obstrução intestinal.
- Fístulas complexas.
- Abscessos.
- Perfuração intestinal.
- Sangramento grave.
- Doença localizada sem resposta ao tratamento clínico.
- Suspeita ou confirmação de câncer.
A cirurgia remove ou trata o segmento comprometido, mas não elimina definitivamente a Doença de Crohn. Por isso, o acompanhamento clínico permanece necessário para reduzir o risco de recorrência.
Na Retocolite Ulcerativa, a retirada completa do cólon e do reto elimina a inflamação intestinal característica da doença. O procedimento pode ser indicado em casos graves, refratários, com sangramento intenso, perfuração ou risco aumentado de câncer.
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